Jean Cândido 2010
Jean Cândido 2010
Procuro sentir os sentimentos já esquecidos. Vou em busca de novos sentidos e de me redescobrir a cada dia com coragem, sem medo de ser.
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Segunda-feira, Outubro 11, 2010

Mudei de endereço.

Acesse agora www.jeancandidobrasileiro.blogspot.com

posted by Jean Candido | 5:05 PM
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Segunda-feira, Julho 19, 2010

Então a onda é escrever frases curtas para não chatear a audiência.
E eu que já nem tenho tanta audiência assim, não me importo.

posted by Jean Candido | 2:11 PM
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Quinta-feira, Julho 01, 2010

Episódio de hoje: TARDE

Vazio criativo. Essa síndrome que me ataca às vezes e me trucida a alma. Sabe como é isso? Não é feito um contador que no sábado acorda querendo passear pra não ter que fazer contas. É feito querer passear e não conseguir. Sei lá, as pernas não obedecem, choveu e tá com lama no parque, qualquer coisa nesse sentido. Feito o pensamento que voa mas não encontra pouso.

Grito por dentro: "Estou entediado!" e no entanto, não sei direito por onde começar.Se me encherem muito o saco eu mudo tudo de novo. De cidade, de vida, de corte de cabelo e não vou me importar muito com o que pensam. Pesa no peito outras coisas, outros pensamentos, outros sentimentos.

Odeio acordar cedo. Odeio escritórios. Não suporto gente chata. Talvez o chato seja eu. Boa noite pra vocês.

Imagem do dia:


Foto de KhristinA

posted by Jean Candido | 12:50 AM
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Quinta-feira, Abril 22, 2010

Episódio de hoje: DE REPENTE 30

Eu, acostumado em ser tratado como criança ou como o garoto que todo mundo acha “fofo”, chego aos tais 30 anos com a sensação de que a vida é como aqueles dígitos de bomba em posto de gasolina que sempre me encantaram desde criança. Números passando rapidamente 1, 2, 3, 4 acompanhando os números indicando os litros abastecendo o carro do meu pai.

É de matar essa idéia de toda uma vida pela frente, mas ao mesmo tempo uma vida que já deveria ter tomado os rumos de uma chamada fase “adulta”. Não me considero adulto, tampouco criança e já passo a me considerar um cara caminhando numa estrada que ainda sequer compreendo onde vai dar. Dizem que o mais importante é continuar caminhando.

Essa pressão de ter que realizar algo é tão cruel quanto aquela em que nos subtemos quando crianças: “isso não é assunto seu”. O mundo é responsável por devastar nossa auto-estima. Admiro quem a mantém intacta. Eu, aqui desse lado do espelho, confesso que otimismo é uma forma bem-humorada de afastar o pessimismo instalado. Mas ninguém quer ouvir sobre tais pensamentos. Ninguém gosta de depressivos, solitários e confusos. Então, como de costume, aqui renovo meus desejos para os próximos 30 anos.

Quero mais, sem me preocupar se esse lema é do Serra ou da Dilma. Ainda quero liberdade, ainda quero a novidade, o brilho, o céu beijando o mar no horizonte, dançar como se ninguém tivesse vendo, mesmo numa boate lotada. Continuo querendo dizer algo através da arte, continuo querendo beijar todo mundo que eu quiser beijar. Continuo querendo ser o “filhinho da mamãe e do papai” sem que isso signifique que sou imaturo.

Mesmo com 30, essa tal idade que chegou assim de repente, sem que eu notasse direito o caminho que percorri, quero continuar criança no meu jeito de lidar com o mundo. Fazer parte do mundo dos adultos é muito chato, todos se levam a sério demais. Quero me levar menos a sério. Quero continuar correndo e brincando feito bobo quando encontrar um cachorro grande, mesmo que isso signifique sujar a camiseta que comprei por um preço mais alto do que ela realmente valia.

Quer saber? Quero viajar mais. Quero fechar os olhos quando ouvir uma música gostosa e dançar no meio da rua. Quero dançar e sorrir. Tudo se resume a isso.

Imagem do dia:


Foto de Fernando Baio

posted by Jean Candido | 4:31 PM
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Segunda-feira, Abril 19, 2010

Episódio de hoje: ATENTOS E FORTES

Antes de qualquer coisa, quero informar que não sei em quem vou votar nessas eleições presidenciais. Não estou ainda decidido, já que a campanha oficial nem começou e não pude avaliar as propostas dos candidatos. Obviamente, tenho minhas inclinações, mas considero sagrado o meu direito ao voto secreto. Muitos podem considerar que dizer isso significa estar “em cima do muro” ou não querer se comprometer. Digo apenas que, como artista, minha política é pela verdade e pelo que for melhor para o país (em todos os sentidos que isso possa significar). Também considero perigoso que, sendo alguém que coordena um projeto artístico, me posicionar a favor deste ou daquele candidato signifique posicionar também um trabalho que sempre prezou pela imparcialidade.

Há algumas semanas, disse que gostaria de ver uma luta justa e sem golpes baixos nessa campanha política. Infelizmente vivemos numa sociedade moralista e preconceituosa, embora venda imagem completamente contrária. E nossa sociedade preza muito as questões pessoais de seus políticos e é um prato cheio para todos os candidatos atacar tais questões. Gostaria de ver nos debates e nas plenárias candidatos discutindo idéias e projetos. Defendendo seus pontos de vista e não atacando. Ainda bem que nem todos possuem as mesmas ideologias, ainda bem que somos todos diferentes.

Assisti ontem ao espetáculo “O Interrogatório” dirigido por Eduardo Wotzik, baseado na obra de Peter Weiss, sobre o processo que julgou algozes dos campos de concentração no período da II Guerra. O espetáculo é incrível por reproduzir de modo quase cinematográfico o julgamento (com duração de 5h20min). Sabe-se que diversos presos ajudaram os algozes com experiências médicas ou mesmo realizando trabalhos administrativos, contagem de mortos, entre outras ações, mas o fizeram por um motivo simples: sobrevivência.

É quase impossível que possamos compreender o que isso signifique, afinal 65 anos se passaram desde o fim da Guerra. Muitos de nossos pais nem eram nascidos ainda, apenas sabemos que há o cálculo de que mais de 20 milhões de pessoas tenham morrido entre judeus, testemunhas de Jeová, homossexuais e deficientes.

Um dos depoimentos (verídico) de uma testemunha foi, a meu ver, esclarecedor sobre a questão. Ele dizia que os heróis não eram os mortos, eles não podiam fazer mais nada. Heróis eram os sobreviventes, mesmo que a sobrevivência tenha acontecido à base do “custe o que custar”. Eram heróis porque passaram por todos os horrores daquele período e que naquele momento podiam estar ali, testemunhando e condenando a quem merecia ser condenado.

Esse momento da peça me remeteu ao nosso período da ditadura. Obviamente, nossa ditadura foi bem menos cruel (em número de mortos) como a da Argentina, como disse o colunista da Veja, Reinaldo Azevedo. Não, o número de mortos (oficial, diga-se de passagem) é de 424, no período da Guerrilha do Araguaia.

Muitos foram torturados, muitos foram mortos de forma inexplicável e os horrores foram tamanhos já que não se pode controlar o que o humano tem de natural: sua crueldade. Somos implacáveis quando nos é dado o poder. Não sabemos quantas mulheres foram estupradas (e homens também), não sabemos quantos foram assassinados de fato e pra quem é da minha geração e as que vieram depois de mim não têm a menor noção do que foi esse período. Quando a ditadura começou a abrandar eu estava nascendo e completo meus 30 anos agora.

Mas agora estamos ouvindo novamente histórias sobre o período, em especial “Os Anos de Chumbo” com a Guerrilha do Araguaia como movimento armado mais forte do período. É muito fácil acusar e incutir na cabeça dos jovens eleitores que quem participou da guerrilha era vilão. É fácil, afinal de contas, num país em que hoje podemos ver e falar qualquer coisa, imaginar o que era viver num momento em que havia toque de recolher às 22h e que jornalistas eram mortos por tentar falar algo que contrariasse o governo. Seria interessante para essas gerações com menos de 30 anos que lessem “1968 – O Ano que Não Terminou” de Zuenir Ventura.

Sou um pacifista por convicção, odeio entrar em brigas, odeio polemizar, mas acima de tudo defendo as idéias nas quais acredito e como qualquer bom mineiro “dou um boi pra não entrar em briga e uma boiada pra não sair dela”. Acredito que em determinada situação, o movimento armado foi a última saída que os revoltados encontraram para lutar contra o sistema que estava cada vez mais endurecido e que já havia exilado do país centenas de pessoas e cometido atrocidades como a morte do jovem Stuart Angel Jones e de sua mãe, a famosa estilista Zuzu Angel.

Sim, houve resistência. Houve abusos de todos os lados, mas há uma longa distância entre isso e chamar de criminosos militantes que encontraram no movimento armado uma chance de libertar o país, libertar presos políticos que estavam passando por tortura na prisão e em seus porões, como o jornalista Vladimir Herzog que foi assassinado pelos militares por defender a liberdade e por pertencer ao Partido Comunista Brasileiro.

Movimentos armados como a Guerrilha do Araguaia queria implementar no Brasil a Revolução Socialista que, mesmo com todos os excessos, transformava a vida da população de Cuba. Outras associações como a VAR-Palmares e a Colina, possuíam forte inspiração soviética e ficaram famosas por promover assaltos a bancos, a fim de financiar o movimento, bem como a libertação e fuga de refugiados políticos, como seqüestros de importantes autoridades para exigir a libertação de presos em troca.

Não sabemos o que significou esse momento, mas sabemos que daquele momento até hoje muita coisa mudou. Mudanças simplesmente aconteceram porque o país mudou, as necessidades do país mudaram e é sobre esta questão que precisamos ter foco. Basear nossa opinião em sensacionalismos dos nossos meios de comunicação que são parciais e que tentam através de manchetes espetaculares deturpar fatos, moralizar um momento grave como os tais Anos de Chumbo é estupidez, é falta de educação política – essa sim a pior doença que possuímos. Acreditar em tudo o que os grandes instrumentos midiáticos dizem sem pestanejar é o mesmo que comermos um prato de comida sem saber sua procedência e sem saber do que se trata. É apenas jogar goela abaixo algo que não sabemos se de fato é bom.

Hoje, precisamos avaliar de modo consciente o que seria melhor para o país. Precisamos tomar cuidado com o que é dito, com o que é divulgado. Temos responsabilidade com tudo o que falamos e publicamos. A internet parece ter transformado a informação num sanduíche de fast food, mas não é bem assim. Se considerarmos cada informação com desconfiança e buscarmos todos os meios para assegurar a verdade, então estaremos agindo politicamente e não como meros reprodutores. Precisamos nos perguntar que causa nos interessa e quem melhor represente nossas causas. “É preciso estar atento e forte”, já dizia a canção de Caetano e Gil composta em 1968.

posted by Jean Candido | 4:05 PM
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Segunda-feira, Fevereiro 22, 2010



Novo blog em construção.
Aguarde!

posted by Jean Candido | 10:47 AM
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Quinta-feira, Janeiro 21, 2010

Quando estamos felizes, qualquer ameaça é grande demais.

posted by Jean Candido | 5:34 PM
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Domingo, Janeiro 10, 2010

Episódio de hoje: O ANO TERMINA E COMEÇA OUTRA VEZ

A clássica frase da música "entoada" pela voz da Simone, insistemente em todas as Lojas Americanas do país, pode significar mais do que uma simples música melacueca.
Ouvir a canção todo ano já é sinal de que algo termina e começa sempre outra vez. A começar pela música popular no Brasil que vai muito mal, obrigado. Vinte minutos em frente à MTV ou ouvindo a rádio da moda já é um sinal. Todas as bandas pop tocam a mesmíssima coisa, todas as cantoras têm a mesmíssima voz e cantam exatamente no mesmo ritmo. E a indústria fonográfica ainda reclama. Ok, deve vender. Mas que é um saco, isso é.

Nem os discos de Natal que todo ano cantores como Harry Connick, Jr, entre tantos outros americanos fazem conseguiram pegar no Brasil. Simone e Chitãozinho & Xororó fizeram há centenas de anos e como nada de novo apareceu, somos obrigados a engolir. E cá entre nós: fazer compras no final do ano já é punk, nas Lojas Americanas então, nem se fala. Para salvar a safra de discos de Natal, Xuxa fez o seu merchan. Mas não para mim. Alguém já ouviu Bing Crosby, Frank Sinatra e Louis Armstrong em suas performances natalinas? Simplesmente divino.

Bem, para salvar o início do ano, uma estreia cinematográfica estava prevista para abalar as salas nacionais: Lula, o Filho do Brasil de Fábio Barreto. Glória Pires realmente merece todos os louros e praticamente os únicos no filme. Roteiro picado, sem força alguma, sem fazer jus ao personagem incrível que o diretor possuía nas mãos. Podem falar o que for de nosso presidente, mas ninguém pode negar que sua história de vida é de superação e tem um ar de cinema. Os americanos ou os ingleses fariam miséria do drama... ou talvez até mesmo Jayme Monjardim, com sua mão melodramática, faria com Lula o que fez com Olga.

Na política, somos obrigados a assistir em rede nacional, o então governador do Distrito Federal, o tal Arruda, pedir desculpas de seus "pecados". Não são erros, não são crimes, são pecados. E assim o Brasil segue seu novo ano.

Que 2010 seja um ano com maiores possibilidades, que nossa campanha eleitoral seja menos suja e que vença aquele (a) que for melhor para o país.

E que no Natal, o Cd da Simone saia de catálogo.

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posted by Jean Candido | 11:24 PM
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Sexta-feira, Dezembro 18, 2009

Eu queria trazer-te uns versos muito lindos
colhidos no mais íntimo de mim...
Suas palavras seriam as mais simples do mundo,
porém não sei que luz as iluminaria
que terias de fechar teus olhos para as ouvir...
Sim! Uma luz que viria de dentro delas,
como essa que acende inesperadas cores
nas lanternas chinesas de papel!
Trago-te palavras, apenas... e que estão escritas
do lado de fora do papel... Não sei, eu nunca soube o que dizer-te
e este poema vai morrendo, ardente e puro, ao vento
da Poesia...
como uma pobre lanterna que incendiou!


Mario Quintana

posted by Jean Candido | 7:23 PM
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Domingo, Dezembro 13, 2009

Episódio de hoje: NÃO IMPORTA A DISTÂNCIA, HÁ SEMPRE BONDES A PASSAR

É medo sim. Mas não da felicidade. É de um sentimento inteiramente experimentado e que pode não ser mais sentido.

É medo de não sentir mais, de perder aquilo que causa o amor, o afeto, a loucura, o sorriso, o desejo. É receio de que seja mais um desses sentimentos descartáveis, consumíveis e à moda do sociólogo austríaco, líquido.

E toda aquela situação poética que cai sobre nossas cabeças e transforma o verão em mais colorido e os sorrisos em mais fáceis e sem explicação? E se tudo isso se esvai feito areia correndo por entre os dedos quando nos sentamos à beira da praia para contemplar o por do sol? E se? Como se faz? Como se dá? De que modo agarrar isso tudo que se apressa em explodir dentro do coração de um modo completamente intenso, sincero, corroído, leve e pesado ao mesmo tempo. E se felicidade realmente doer que remédio eu tomo pra não parar nunca? Que remédio eu evito para que não se acabe?

Eu não quero vocë, eu preciso de vocë...Quero estar contigo... Viverei cada manhã na esperança de acordar ao seu lado... E todas essas músicas? E todas essas vozes óbvias que dizem exatamente as obviedades que eu quero dizer? Como eu digo? Como eu faço? De que modo? De que altura? Eu te sequestro? Eu me mudo? Eu te levo ou vou com você?

Eu durmo e espero você chegar ou vivo como se tudo estivesse tranquilo e nada fosse urgente... Mas é! É urgente! É urgente e não tenho outra solução, outro meio, a não ser...esperar...

Feito a gente quando espera o bonde passar e vai feliz vendo a paisagem se desdobrando e sorrindo porque o bonde, a paisagem, o amor...tá tudo ali, à nossa mão.

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posted by Jean Candido | 12:44 AM
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Domingo, Novembro 29, 2009

Episódio de hoje: ANOTAÇÕES DE SOLIDÃO

Encostou-se à parede em frente a porta do elevador. Os andares pareciam intermináveis obstáculos e o transporte não chegava nunca mais.

Assim encostado abaixou os olhos e viu que seu sapato tinha uma mancha vermelha de uma tinta qualquer que usara no último quadro que pintara. Ainda de olhos baixos pensou no sentido daquela noite e não o descobriu.

Ali, sozinho, depois de alguns mínimos momentos que não foram absolutamente de amor. Ouviu ainda quando a porta do apartamento que acabara de deixar fora trancada deixando-o preso na madrugada.

Era madrugada e sentiu vontade de ser chamado de volta e dormir sobre os braços carinhosos.

...

Não, ninguém abriria a porta, ninguém o chamaria de volta e seu retorno era inevitável.

A madrugada estava quente como em qualquer noite de verão, apenas uma brisa vinha do mar e encostava de leve em seu rosto. Foi caminhando pra casa ouvindo passos alheios de bêbados, prostitutas e casais. Em determinado ponto tudo ficou vazio e silencioso. Somente a voz de seus passos e o som de seus pensamentos. Um o acalmava, o outro o angustiava, mas não sabia ao certo qual era qual.

Subiu suas escadas depois de ruas, semáforos, carros, táxis, luz e escuridão, som e silêncio. Teve dificuldade em abrir sua porta. Se sentiu preso do lado de fora e tampouco se sentiria livre do lado de dentro. Seu coração disparou em cavalgadas amplamente respiradas. Se sentiu atado. Ficou assim, com a chave na mão próxima à fechadura sem abrir por alguns minutos.

Engoliu a seco. Entrou. Trancou-se.

Sozinho fora. Sozinho dentro.

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Foto de Ricardo

posted by Jean Candido | 1:25 AM
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Domingo, Novembro 22, 2009

Episódio de hoje: O SOL E O TEMPO

O vento bateu em brisa em seu rosto e não foi mais do que um beijo que lhe balançou os cabelos para um lado e para o outro.

Observou os casais conversando, os flashes de máquinas digitais registrando o momento do alto da pedra. Sentiu que mais um verão se aproxima e isso lhe causou certo conforto. Poderia assistir ao sol se pondo do alto da pedra e fechar seus olhos para sentir.

O sol a se preparar para dormir e acordar em outro lugar, enquanto o mar lambia os grãos em explícita sensualidade. O tempo passou e continua a caminhar pelo calçadão com sua nobreza indecorosa.

Quantas vezes já havia olhado aquele conjunto? Arpoador, Ilha do Farol, Mar, Vidigal, Dois Irmãos e edifícios... Quantas coisas já se passaram? Quantas palavras já ditas e que se foram? O que aprendeu?

E no entanto, vez ou outra vinham os pensamentos, mas ficava a sensação de paz. O sol a lhe preencher as entranhas e inflar os pulmões em sincera desagonia. Ali estavam: ele, o sol, o vento, o mar e o tempo. E apenas o mar era possível tocar, mas sua força não.

E ele se foi. E quando ele se vai lembrava-se sempre de tudo o que já foi. Muita coisa já foi. E o que há de vir?

Que venha a nova estação primeiro...

Imagem do dia


Foto de Jean Cândido

posted by Jean Candido | 1:52 PM
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Sexta-feira, Novembro 20, 2009

NÃO ADIANTA TENTAR ME ESQUECER

Quando eu era criança sempre escutava os discos do Roberto que meus pais compravam ou que invariavelmente meu pai dava de presente pra minha mãe.

Neste momento eu nem quero dizer dos 50 anos comemorados da carreira do "rei". Mas daqui a um mês exatamente meus pais completam 40 anos de casados.

É assustados como o tempo passa rápido sem que ao menos possamos nos dar conta. O tempo é implacável.

E sinto que nesses anos todos (29 dos 40 eu estive ali pertinho deles) cada ano pode ser contado com um fundo musical do Roberto.

De "Caminhoneiro" a "Amada Amante", de "Detalhes" a "Verde e Amarelo" e até mesmo as mais breguinhas como "Alô" e "Abrazame Así". Coisas que foram me alimentando a ponto de em determinada época eu brincar de imitar o Rei nas festinhas de família e até mesmo (pasme!) em apresentações na escola. Era tudo homenagem. Acho que de certo modo eu penso muito em meus pais quando vou fazer algo ligado à arte. Isso é bom e pode ser ruim, mas é assim.

E realmente não adianta nem tentar esquecer o rei porque ele está completamente dentro da minha história.

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posted by Jean Candido | 10:50 PM
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Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Episódio de hoje: TOURO

Tudo o que muda a vida vem no escuro. Sem preparos de avisar. Assim disse Guimarães Rosa em sua sabedoria linguística tentando mostrar que a vida é muito delicada.
E assim como a vida, sinto que tudo é muito delicado. Nem sempre nos damos conta disso, nem sempre eu mesmo me dou conta disso e é completamente angustiante.

Acho que 2009 vem chegando ao seu penúltimo mês e começo a fazer aquela velha avaliação do que foi não só este ano, mas todos eles. 2010 vem chegando com o peso dos 30 anos e mesmo a cara não dizendo a idade, a cabeça começa a querer dizer. Sonhos e ilusões que vão ficando pelo caminho e uma gana maior pra se agarrar à esperança. É mais fácil ser triste que ser alegre, mesmo que o contrário seja melhor.

São tempos difíceis para os sonhadores, me disse uma vez alguém parafraseando Amelie Poulain. São mesmo. Mas acredito que há sempre a renovação desses sonhos. Velhos vão dando lugares a novos. Velhos vão se renovando e se reforçando. Ideias, expectativas e objetivos vão se clareando e torna-se necessário verificar todo o tempo - sonhos precisam ser alimentados.

E se as coisas não precisam de mim e as luzes não se acendem por mim que eu caminhe assim mesmo e vença assim mesmo. Ingênuo, não? Que me importa...

Imagem do dia:


auto-retrato

posted by Jean Candido | 11:02 PM
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Terça-feira, Outubro 20, 2009

Quero saber de Deus como sei da dor.
Elaine Pauvolid

posted by Jean Candido | 7:54 AM

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