Jean Cândido 2009
Jean Cândido 2009
Procuro sentir os sentimentos já esquecidos. Vou em busca de novos sentidos e de me redescobrir a cada dia com coragem, sem medo de ser.
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Domingo, Novembro 22, 2009

Episódio de hoje: O SOL E O TEMPO

O vento bateu em brisa em seu rosto e não foi mais do que um beijo que lhe balançou os cabelos para um lado e para o outro.

Observou os casais conversando, os flashes de máquinas digitais registrando o momento do alto da pedra. Sentiu que mais um verão se aproxima e isso lhe causou certo conforto. Poderia assistir ao sol se pondo do alto da pedra e fechar seus olhos para sentir.

O sol a se preparar para dormir e acordar em outro lugar, enquanto o mar lambia os grãos em explícita sensualidade. O tempo passou e continua a caminhar pelo calçadão com sua nobreza indecorosa.

Quantas vezes já havia olhado aquele conjunto? Arpoador, Ilha do Farol, Mar, Vidigal, Dois Irmãos e edifícios... Quantas coisas já se passaram? Quantas palavras já ditas e que se foram? O que aprendeu?

E no entanto, vez ou outra vinham os pensamentos, mas ficava a sensação de paz. O sol a lhe preencher as entranhas e inflar os pulmões em sincera desagonia. Ali estavam: ele, o sol, o vento, o mar e o tempo. E apenas o mar era possível tocar, mas sua força não.

E ele se foi. E quando ele se vai lembrava-se sempre de tudo o que já foi. Muita coisa já foi. E o que há de vir?

Que venha a nova estação primeiro...

Imagem do dia


Foto de Jean Cândido

posted by Jean Candido | 1:52 PM
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Sexta-feira, Novembro 20, 2009

NÃO ADIANTA TENTAR ME ESQUECER

Quando eu era criança sempre escutava os discos do Roberto que meus pais compravam ou que invariavelmente meu pai dava de presente pra minha mãe.

Neste momento eu nem quero dizer dos 50 anos comemorados da carreira do "rei". Mas daqui a um mês exatamente meus pais completam 40 anos de casados.

É assustados como o tempo passa rápido sem que ao menos possamos nos dar conta. O tempo é implacável.

E sinto que nesses anos todos (29 dos 40 eu estive ali pertinho deles) cada ano pode ser contado com um fundo musical do Roberto.

De "Caminhoneiro" a "Amada Amante", de "Detalhes" a "Verde e Amarelo" e até mesmo as mais breguinhas como "Alô" e "Abrazame Así". Coisas que foram me alimentando a ponto de em determinada época eu brincar de imitar o Rei nas festinhas de família e até mesmo (pasme!) em apresentações na escola. Era tudo homenagem. Acho que de certo modo eu penso muito em meus pais quando vou fazer algo ligado à arte. Isso é bom e pode ser ruim, mas é assim.

E realmente não adianta nem tentar esquecer o rei porque ele está completamente dentro da minha história.

Imagem do dia

posted by Jean Candido | 10:50 PM
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Sexta-feira, Outubro 30, 2009

Episódio de hoje: TOURO

Tudo o que muda a vida vem no escuro. Sem preparos de avisar. Assim disse Guimarães Rosa em sua sabedoria linguística tentando mostrar que a vida é muito delicada.
E assim como a vida, sinto que tudo é muito delicado. Nem sempre nos damos conta disso, nem sempre eu mesmo me dou conta disso e é completamente angustiante.

Acho que 2009 vem chegando ao seu penúltimo mês e começo a fazer aquela velha avaliação do que foi não só este ano, mas todos eles. 2010 vem chegando com o peso dos 30 anos e mesmo a cara não dizendo a idade, a cabeça começa a querer dizer. Sonhos e ilusões que vão ficando pelo caminho e uma gana maior pra se agarrar à esperança. É mais fácil ser triste que ser alegre, mesmo que o contrário seja melhor.

São tempos difíceis para os sonhadores, me disse uma vez alguém parafraseando Amelie Poulain. São mesmo. Mas acredito que há sempre a renovação desses sonhos. Velhos vão dando lugares a novos. Velhos vão se renovando e se reforçando. Ideias, expectativas e objetivos vão se clareando e torna-se necessário verificar todo o tempo - sonhos precisam ser alimentados.

E se as coisas não precisam de mim e as luzes não se acendem por mim que eu caminhe assim mesmo e vença assim mesmo. Ingênuo, não? Que me importa...

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auto-retrato

posted by Jean Candido | 11:02 PM
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Terça-feira, Outubro 20, 2009

Quero saber de Deus como sei da dor.
Elaine Pauvolid

posted by Jean Candido | 7:54 AM
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Quarta-feira, Outubro 07, 2009

Episódio de hoje: PÉS DE FEIRANTE

Eram grossos e com manchas de veias estouradas os pés da feirante, mas sei que ela é o marido são sempre os primeiros a chegar. Eu mesmo os vejo chegando entre três e quatro da manhã para montar a barraca, uma das maiores na infinidade de barracas da feira.

Vejo-os quando ainda estou voltando pra casa. Eu sou da madrugada inversamente a eles.Eles acordam quando eu vou dormir.

Os pés manchados de veias estouradas pertencem a uma mulher que provavelmente se levantou as duas da manhã durante 2/3 de sua vida. E vejo beleza no meio disso tudo. Há um interesse sincero nos olhos dela ao dizer o que tem a oferecer para os clientes. Não precisa gritar, não precisa abordar violentamente. Ela ali está, disponível, a espera de alguém que se aproxime e que lhe faça perguntas.

E na infinidade de cores de tomates, quiabos, batatas e frutas, lá permanece a feirante e o marido. Seus pés manchados de veias estouradas e os cabelos brancos. Assim é se lhe parece, a mim é poético, a outros é injusto. Que seja. Deixem-me continuar usando a quarta-feira para ser o meu dia de ir à feira.

posted by Jean Candido | 7:42 PM
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Quarta-feira, Setembro 30, 2009

Episódio de hoje: LEVA A PAZ

Leva paz, leve paz. E assim é o amor quando acaba. Paradoxalmente leva embora a paz que constrói e ao mesmo tempo traz outra, talvez aquela que tirou dos corações que insistiram em amar.

Desconfio que amor verdadeiro não exista, estamos sempre em desencontros e quando sentimos e temos a rara sensação de sentirem de volta é como um lapso. São pequenos segundos de amor. E que passam e deixam aquela vontade de ser novamente e a terrível e temida angústia de não ser nunca mais.

Ser amado é daquelas inebriantes sensações que temos quando bebemos vodka.(que me mostrem o bar mais próximo). E não é de se admirar que buscamos tais espetaculares pássaros fugidios nos pequenos encontros dia após dia. E temo que em um desses dias os olhares não se cruzem mais porque, como no poema, resultou inútil.

E se, mais uma vez parafraseando o poeta, os olhos não chorarem mais, o que nos restará? Trabalho, fugacidade, não-encontro.

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Foto de José Luiz Cunha

posted by Jean Candido | 8:12 PM
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Sábado, Setembro 12, 2009

Episódio de hoje: RECOMEÇAR

Começar do zero. Não, nunca é fácil. Mas o fato é que quando as coisas não saem como esperamos, poucas vezes podemos continuar do mesmo ponto. E não percebemos isso.

É mais fácil e menos angustiante continuar em frente, sem voltar à primeira casa do tabuleiro. E não voltar implica em administrar muito mais problemas.

Corrigir, recompensar, retratar, perdoar. Rever estratégias e reaprender.

Não, nunca é fácil. É difícil porque queremos tudo pra ontem, imediato e paciência não faz mais parte do nosso vocabulário. Queremos agora e nem ao menos sabemos o que queremos.

E erramos. E ameaçamos amores, afetos, amizades, caminhos, futuros. Egoístas demais para reconhecermos nossa incapacidade de acertar o tempo todo e arrogantes demais para percebermos nossas falhas.

E penso que o coração fica assim bagunçado porque não nos damos tempo. Nos afastamos de coisas simples como as lições que a natureza nos dá: a vida obedece o ritmo das estações e cada passo deve ser dado lenta e constantemente.

Para cada momento, uma estação.

Sigo com a certeza de que erro constantemente, mas ao menos assumo algumas vezes Sei também que tenho paciência, mas às vezes quando vou devagar demais, tudo degringola.

Não, nunca é fácil. Mas é preciso.

Imagem do dia:



Foto de Francisco Mendes

posted by Jean Candido | 10:50 PM
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Quinta-feira, Setembro 03, 2009

Episódio de hoje: DE COMO ME SINTO HOJE ou
DEPOSITÁRIO DE POEMAS ALHEIOS


Tudo azul
No céu desbotado
E alma lavada
Sem ter onde secar
Eu corro, eu berro
Nem dopante me dopa
A vida me endoida
Eu mereço um lugar ao sol
Mereço ganhar prá ser
Carente profissional
Carente...
Se eu vou pra casa
Vai faltando um pedaço
Se eu fico, eu venço
Eu ganho pelo cansaço
Dois olhos verdes
Da cor da fumaça
E o veneno da raça
Eu mereço um lugar ao sol
Mereço ganhar pra ser
Carente profissional
Carente...
Levando em frente
Um coração dependente
Viciado em amar errado
Crente que o que ele sente
É sagrado
E é tudo piada
E é tudo piada
Eu mereço um lugar ao sol
Mereço ganhar pra ser
Carente profissional
Carente...


Carente Profissional
Cazuza

posted by Jean Candido | 12:37 AM
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Terça-feira, Setembro 01, 2009

Oh delicados!
Vós que pousais o amor
sobre ternos violinos,
ou grosseiros que
o pousaiis sobre os metais!
Vós outros não podeis
fazer como eu,
virar-vos do avesso
e ser todo lábios!!!


MAIKÓVSKI

posted by Jean Candido | 8:10 PM
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Terça-feira, Agosto 25, 2009

Episódio de hoje: MANIFESTO DA MINHA PAZ

Peço que me deixem quieto. Esse é o meu manifesto.

Peço que me deixem quieto no meu canto quando eu não estiver com vontade de conversar, falar, escutar, afagar, entender, pensar.

Quero estar sozinho. Quero estar no meu canto e sempre que insistem me retraio e me transformo na pior das criaturas.

Quero ter o tempo que me cabe pra ficar remoendo minhas histórias, meus livros, as músicas e os programas que eu quiser.

Não quero emitir minha medíocre opinião a respeito de nada, coisa alguma, pessoa ou peça de teatro. Em sua grande maioria tudo é chato, qualquer pessoa tem qualidades e defeitos e 97% das peças são pobres, ruins sem nenhum tipo de contribuição à sociedade.

Todos querem ser Brecht, mas ninguém está sob a Revolução Russa em seus encalços.

Ei! Ei! Ei! Fora Sarney!

Eu não vou falar nada além do que já foi dito. Não esperem de mim nenhuma avalanche de ideias inteligentes e colocações interessantes. Eu só penso em sexo mesmo e ponto final. Prefiro que me vejam dessa forma, pelo menos não tenho que esconder meus dvds pornôs a cada visita que receber.

Sim, eu tenho um quadro e-nor-me do Marcelo Camelo na minha parede, mas nem por isso acho ele um tesão. Mas se todo mundo tem seus ídolos que o meu seja Marcelo Camelo - que come a Malu Magalhães e tá cagando pra quem fica questionando idade de um, idade do outro. Falar dos outros é muito mais fácil. Quero ver falar de si.
Quero ver alguém (e isso me inclui) fazendo auto-crítica sem ser condescendente. Quero ver alguém falar de si na terceira pessoa dizendo: "Ah, como ele se veste mal. Vejam como o imbecil é péssimo ator e se acha muito bom".

Não. Abraçar criança em final de espetáculo, não. A não ser que exista uma cláusula que me garanta honorários extras por tal função. Não sou tio de criança alguma, não tenho a obrigacão de sorrir pra câmera fotográfica e nem dar beijinho na menininha cuja mãe ridícula fantasiou de Branca de Neve.

Estamos formando um bando de imbecis superinteligentes e idiotas. Estamos fazendo desse mundo uma corja de gente desinteressante, egoísta e depressiva. Mas toda essa gente vai fazer compras com suas eco-bags da Armani, dirigindo seus carros super-potentes e consumidores de combustível. Eco-bag pode, bicicleta não pode.

O que se passa? Tudo passa. E que sejamos espertos para perceber.


Imagem de Hugo Tinoco

posted by Jean Candido | 6:44 PM
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Sábado, Agosto 15, 2009

Dessas manhãs
Jean Cândido


a Z.

(Para se ler ouvindo "As Praias Desertas" com
Bethânia no podcast ao lado)


Dessas manhãs que seus olhos
fotografem botes estacionados
sob raios únicos de sol.

Dessas manhãs que cães nos observem
e vigem nossos abraços e toques leves
como a areia que se prende aos nossos sapatos.

Dessas manhãs que uma música
toque baixinha em nossos ouvidos
feito trilha sonora de filme bom.

Dessas manhãs que sem dormir
e mal acordados
pedimos ao tempo que se demore um pouco mais

Para que os segundos
sejam longos minutos
os minutos inteiras horas
e as horas, dias intermináveis.


posted by Jean Candido | 11:51 PM
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Domingo, Agosto 09, 2009

Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo
Mal de te amar neste lugar de imperfeição
Onde tudo nos quebra e emudece
Onde tudo nos mente e nos separa.


Sophia de Mello Breyner Andresen

posted by Jean Candido | 7:44 PM
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Segunda-feira, Julho 27, 2009

Episódio de hoje: APONTAMENTOS DE UM FILME PARA RESPIRAR

Imagine-se na seguinte cena: seus últimos minutos de vida e você finalmente vai calcular o que deixa para aqueles que ficam. Sua herança possui os seguintes objetos: obras de arte valiosas, uma casa velha repleta de lembranças e um telefone novo que nunca fora instalado. A quem ficará essas coisas? A quem importará?

Depois de sua morte do que se lembrarão as pessoas que realmente importaram na sua vida? De seu empenho em que tipo de empreendimento? A quem ficará o afeto? Quem tomará para si o amor que você carregou trancado em seu peito e jamais revelou? Por que ficam sempre os remorsos do que poderia ser feito e nunca foi? Do que poderia ter sido dito e nunca foi?

Ficam pelo caminho dezenas de "eu te amo" que se transformam em folhas velhas amareladas caídas pelo caminho. Ficam pela estrada milhares de lágrimas derramadas em silêncio e ninguém para secá-las. Ficam objetos, nada mais. Simplesmente objetos que cada um dará o valor que lhe importa.

E cada objeto pode representar dinheiro, lembranças ou afetos. Qual o valor de uma obra de arte? Qual o valor que uma pessoa e sua memória possui?

Quando você se for, qual espólio deixará?

Imagem do dia:


Foto de Jean Cândido

posted by Jean Candido | 1:22 AM
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Segunda-feira, Julho 20, 2009

Episódio de hoje: TORNOU-SE UM PÁSSARO

Aquela sensação velha conhecida de estar em um lugar, não querer estar e não saber ao certo pra onde se quer ir. Diferente da outra velha sensação de não pertencimento, é a de incômodo com a própria presença e com a própria existência física do lugar. Como se houvesse uma mágica que conduzisse a um outro espaço etéreo, escondido, fora.

Era aquela velha vontade de não ser demandado, de fugir, de não ser chamado, procurado, encontrado. Esse dicotômico desejo de misantropia, essa desconfortável sensação de impedimento por conta de uma liberdade não existente de verdade.

E foi assim que numa noite dessas se tornou pássaro. Um pássaro de asas curtas, mas que de tão leves o conduziam para outros mundos e outras dimensões. Tornou-se desses pássaros que fecham os olhos para se surpreenderem com o destino. Que de tão alto voo que não há obstáculos a atrapalhar o caminho, apenas ar, apenas imensidão. Apenas e tudo isso.

Quando se tornou pássaro suas mágoas o davam combustível e quanto mais alto e mais forte voava, mais elas iam sendo deixadas pra trás. Suas saudades iam se tornando penas das asas e da cauda, quando grandes e penugens para proteger do frio, quando pequeninas. Seus amores iam se tornando ar nos pulmões e lhe davam imenso fôlego. E dessa forma foi se conduzindo numa viagem que não tinha certeza de onde chegaria.

E de tão alto, tão alto voo empreendia que não via mais nada além de escuridão. As cores foram se tornando distantes, os sorrisos não mais ouvidos, também as atrocidades e doenças e tristezas foram se tornando distantes. No entanto, mesmo distante dos males, os bons agouros e sentimentos também se tornaram pó. E fechou os olhos e se lembrou de um sorriso dado ainda quando criança. Simples, alto, alegre. Sorriso de cócegas. Distante demais para se alcançar daquela imensidão.

Imagem do dia:


Foto de Carlos L.

posted by Jean Candido | 3:54 PM
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Terça-feira, Julho 14, 2009

Poema LXIV (De amar mucho tienes a palabra)

De amar mucho tienes a palabra que persuade,
la mirada que vence y que turba...
De amar mucho dejas amor en torno tuyo, el que pasa cerca
y se huele el perfume en el pecho, viene a creer que tiene la rosa dentro...

Dulce María Loynaz

posted by Jean Candido | 10:44 PM


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